Centro Histórico de Ilhabela

Diogo de Unhate e João de Abreu foram dois bravos guerreiros que lutaram contra a invasão das terras nas vilas de Santos e São Vicente, mesmo contra os ingleses que resolveram invadir os vilarejos na noite de Natal em 1591. Um destes foi o corsário Thomas Cavendish, que acabará expulso da vila de Diogo quando tentou novamente aportar em terra firme após fracasso na travessia do Estreito de Magalhães.
Assim, como conseguiram expulsar o corsário e seus piratas da vila, Diogo e João de Abreu foram atendidos pelo capitão-mor Pero Lopes de Souza que, representado por Gaspar Conqueiro, cedeu-lhes uma sesmaria. Ambos os donatários deixaram a vila de São Vicente para habitar as terras, situadas na cidade de São Sebastião, dando início a povoação daquela região que, mais tarde, deu lugar a novas concessões, aumentando o pequeno núcleo que acabará se expandindo para a ilha defronte à terra firme.
Em 1608, quando Diogo de Unhate e João de Abreu se apossaram das suas terras em São Sebastião, o português Francisco Escobar Ortiz, também por concessão da carta de sesmarias, aportará na ilha com a sua família, iniciando o primeiro ciclo de colonização da chamada Ilhabela. Em terras desabitadas, Francisco construiu dois engenhos de cana-de-açúcar para a sua subsistência. Responsável por trazer a mão de obra escrava para as suas fazendas durante as viagens realizadas a bordo do seu navio para Angola.

Somente no ano de 1805 que a pequena praça ganhou condições de vila, devido à iniciativa do pequeno povoado, que na época contabilizava cerca de trinta e oito ou mais habitantes. Então, representados pelo capitão-mor Julião de Moura Negrão, deu-se o pedido de emancipação.
O Documento, de cujo original pode ser consultado no Arquivo do Estado, maço 23, pasta dois, número sete; foi assinado pelos trinta homens mais importantes da ilha, sendo eles chefes de família, donos de lavouras, senhores de engenhos e escravos, e direcionado ao governador da província de São Paulo, Antônio José da Franca e Horta, em 24 de maio de 1803.
Segundo os documentos oficiais armazenados no Arquivo do Estado, maço 23, pasta dois, número sete; foi em três de setembro do ano de 1805, que o povoado da ilha foi elevado a condições de Vila e decretada sob a alcunha de Villa Bella da Sereníssima Princeza, pelo governador Antônio José da Franca e Horta. A referida princesa é a Nossa Senhora da Ajuda, de cujas terras do primeiro povoado pertenciam à capela elevada em sua homenagem e devoção.
A partir de então, os habitantes selecionariam os nomes dos juízes e vereadores que, aprovados pelo governador, seriam levados para a primeira eleição do primeiro ano de Villa Bella da Princeza, que começaria a ser contado a partir do dia 1 de janeiro de 1806.
Lendas alegam que a Princesa Isabel chegou a residir em Ilhabela, muito provavelmente na antiga casa do Pouso dos (Corrêa), onde no passado funcionará o “Hotel Bela Vista”, localizado na entrada do Centro histórico, e, que mais tarde fora transformado em casa de veraneio.
Princesa Isabel é também o nome de uma das principais Avenidas da ilha que liga aos demais bairros da cidade.
Relatos apontam que o governador José da Franca e Horta teria batizado o povoado de Villa Bella da Princeza, homenageando Maria Tereza, conhecida como a Princesa da Beira, filha mais velha do Rei de Portugal. Contudo, segundo as explicações da jornalista e pesquisadora Maria Angélica de Moura Miranda, os documentos de época esclarecem que os antigos moradores, quando mencionavam “princeza”, estavam se referindo a Nossa Senhora da Ajuda.

Vale ressaltar que os textos contidos nas cartas de 1806, nem citavam a Princesa da Beira Maria Teresa, que na época tinha 12 anos, morava em Portugal e não era mais a Princesa da Beira desde 1795. Era comum a referência aos padroeiros como acontecem em Santo Antônio de Caraguatatuba e Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém.
Os textos antigos na íntegra dizem: “O juiz presidente, vereadores e procurador da câmara de V.a. Bella da Sereníssima Princeza N. Snr.a…”… A palavra princesa era sempre usada com referência à padroeira. Com o tempo, passaram a dizer que era por causa da Princesa da Beira ou por causa da Princesa Isabel, que não era nem nascida (Princesa Isabel nasceu em 1846. As cartas de Villa Bella eram de 1805). 

Fonte: https://www.portalculturailhabela.com.br/2020/09/villa-bella-da-princeza.html

Foto: Maremar Turismo